Feliz dia das mães!

9 05 2010

Feliz dia das mães! Depois do natal, hoje é o dia mais clássico do almoço em família.

Na minha casa, temos a tradição de almoço aos sábados só com a família direta. Os domingos em geral ficam reservados para avós, tios e primos.

No almoço de sábado pré-dia das mães, eu tinha prometido a minha mãe que iria fazer pra ela o Tartare de St Peter. Sabia que era o tipo de receita que ela ia gostar.

Por aquelas complicações típicas da vida em família, acabei tendo que fazer o almoço inteiro… e tive que decider o prato principal em 15 minutos. Minhas decisões no geral levam muuuuito mais tempo que isso. Você não imagina quantas vezes já mudei o título de cada post desse blog.

Mas a idéia veio rápido. Estou acompanhando o Que Marravilha, da GNT e adorando! Essa semana, o tema era dia das mães, obviamente, e o Claude Troisgros – o chef mais simpático do mundo – ensinou um nhoque ao molho de gorgonzola que parecia fácil e muito bom.

Nhoque ao Gorgonzola

Melhor que eu ensinar, por que não o próprio Claude?

Vodpod videos no longer available.

Ele não é muito simpático? Claude, te adoro!

Clique aqui para ver a receita original. Claro que eu mudei. Eu mudo TODAS as receitas, você não percebeu?

MASSA

600g batata
120g farinha de trigo
3 gemas
80g queijo parmesão ralado
60g queijo mussarela ralado
180g ervilhas frescas cozidas
(não coloquei)
sal a gosto
pimenta do reino moída na hora a gosto
noz moscada a gosto
(esqueci! mas queria ter colocado…)

O Claude manda você assar as batatas 40 minutos no forno, mas eu estava com pressa, então cozinhamos elas na panela de pressão mesmo. Sorry.

Depois, descasque as batatas ainda quentes, faça um purê e misture com todos os outros ingredientes. Cuidado que fica bem quente! A massa fica bem mole, eu coloquei mais farinha que estava na receita e ainda assim ficou bom. Vá jogando farinha na hora de cortar, depois de cortado, o tempo todo.

Enrole e corte o nhoque do tamanho que quiser. Essa receita rende mundo – eu acabei cortando nhoques gigantescos (assim como o Claude no vídeo. Claude, já falei que te adoro?)

Jogue o nhoque em água fervendo. Quando subir (aproximadamente 5 minutos), retire e coloque em água com gelo.

Olha o tamanho dos nhoques. E veja o quanto 2 receitas renderam.

Seque com um pano e frite o nhoque no azeite. Como o almoço estava super atrasado, nem fritei a maior parte dos nhoques, que já estavam maravilhosos. Mas fritei alguns e ficaram deliciosos.

MOLHO

300ml creme de leite
200g queijo gorgonzola
pimenta do reino moída na hora a gosto

Ferva o creme de leite e o queijo gorgonzola até que derreta e adquira uma consistência cremosa. Quebre o queijo em pedaços pequenos, senão ele não derrete direito. Tempere com pimenta, o queijo já é super salgado.

Coloque o nhoque em uma travessa, cubra com o molho e complete com queijo parmesão ralado.

Sirva e acabe com qualquer discussão familiar que estiver acontecendo. Esse nhoque é realmente MUITO MUITO bom.

Essa foi a única porção do nhoque de que eu consegui tirar foto antes de alguém comer

Meu pai, que é um grande crítico de nhoque – a minha bisavó fazia o melhor nhoque do mundo – adorou e aprovou.

O mais engraçado de cozinhar dessa vez foi que, ao contrário de cozinhar para uma ou duas pessoas e ter que reduzir as quantidades, tive que dobrar a receita. Quer coisa mais família?

Feliz dia das mães!

Como minhas principais amigas-leitoras são mães, esse post é dedicado a vocês, Rebeca e Chris. Feliz dia das mães.

E pra minha mãe também, né? 🙂

(Amanda, se você ler o meu blog, o post é dedicado a você também. Feliz primeiro dia das mães!)





Conforto

25 04 2010

A vida é muito intensa e, às vezes, agressiva. No fundo, somos todos como aqueles chineses que equilibram pratinhos numa vara, correndo de um lado para o outro para não deixar nenhum prato cair.

Embora isso seja legal e instigante, tem hora que precisamos dar um tempo para nos recompor. Se não percebemos isso sozinhos, nosso próprio corpo pede: muitas vezes, uma doença é só o seu corpo dizendo a você: “se você não parar pra se cuidar por bem, paro eu por mal!”

Hoje eu fui ao hortifruti (adoro “hortifrutigranjeiro”) e comprei várias coisas, pensando em cozinhar e postar aqui. Aí uma febrinha e um mal estar me fizeram ficar plantada na minha cama desde a 7 da noite, lidando comigo mesma, deitadinha, vendo seriados na TV. Sem cozinhar, pois não havia forças nem fome.

Aí lembrei que no começo da semana, já vendo os primeiros sinais do cansaço, fiz pra mim uma das melhores comfort foods de todos os tempos: Capeletti in Brodo. Se eu estivesse com fome agora, era exatamente o que eu gostaria de comer.

Capeletti in Brodo

(segundo o Google, é assim que se escreve “capeletti”)

Essa receita tem as 2 características fundamentais de uma comfort food:

1) É fácil de fazer (porque ninguém tem uma vontade louca de carré de cordeiro quando está doente)

2) É fácil de comer (porque a vida já está difícil o suficiente para ainda exigir que você mastigue muito)

Mas o diferente da receita – que não é muito confortável, confesso – foi fazer o caldo de carne. Desde a época do molho al sugo, meu vô me falava do caldo de carne que minha avó colocava no molho, e eu fiquei com vontade de tentar fazer.

Fazer caldo de carne hardcore é algo complexo e chato, envolve restos de carne e ossos, coisas que não sobram muito quando você cozinha só para você. Minha amiga chef mesmo fala que não vale tanto a complicação. Mas, quem falou que a vida é simples.

Comprei um pedaço de músculo e fui em busca de uma receita simples de caldo de carne. Encontrei um vídeo explicativo muito legal do Cyber cook, que adorei. Viva os vídeos feito para pessoas que estão aprendendo!

Fiz exatamente igual e ficou gostoso. O bom é que o caldo não é temperado, você só tempera a hora que usa.

Dá pra fazer um monte de caldo e congelar no freezer para quando precisar.

Depois, foi simples. Comprei um capeletti fresco (de queijo), coloquei o caldo no fogo e, assim que começou a ferver, coloquei o capeletti e deixei cozinhar por 9 minutos. Ah, e coloque sal e pimenta do reino a gosto no caldo.

Fácil, rápido, indolor, gostoso e extremamente confortável.

Comfort photo

Esse post foi escrito direto do meu edredom, ouvindo músicas confortáveis. Recomendo a trilha sonora de Glee e um pouco de Roy Orbinson.





Al Sugo – versão 2

5 04 2010
Fiz novamente o molho sugo (daquele post), seguindo os ensinamentos de Mariseta e Zaira.
Dessa vez, fiz também um caldo de carne caseiro (aprendi nesse vídeo do Cyber Cook – excelente para nós aprendizes) e adicionei ao molho, de acordo com o ensinamento do meu avô. Resultado: ficou muito bom. Dá um gostinho um pouco diferente. Não é necessário para o sucesso do molho, mas é uma excelente variação.

Só concluí que preciso urgente de novas panelas, porque as minhas comprometem um pouco. Além disso, tirei mais água do tomate do que precisava, o que atrapalhou um pouco. Pense nisso quando for fazer. E apure o molho em fogo bem, bem baixo.

Al Sugo, originally uploaded by drizon99.

A fotinho tirei com o Hipstamatic, app do iPhone que é meu novo vício fotográfico.





Al sugo

18 10 2009

Quando eu era criança, adorava as macarronadas de domingo na casa da minha avó. Eu era bem pequena, mas lembro do gosto do melhor macarrão do mundo. A minha avó e a minha bisavó ficavam a manhã inteira fazendo o molho e a massa, e o resultado era surrealmente bom. Eu simplesmente não conseguia comer sem ficar toda babada de molho sugo. Já cheguei a ficar suja até a testa. Acho que não devia ser uma cena bonita… se bem que eu era criança, e o lado bom da infância é que tudo que você faz é bonitinho.

A minha avó, infelizmente, morreu muito cedo – eu estava prestes a fazer 6 anos. A minha bisavó se foi alguns anos depois e eu nunca tive a chance de aprender com o lado italiano da minha família a fazer o molho sugo tradicional, que dá um mega trabalho, mas faz você chorar de emoção. Aí passei a comer macarrão com pomarola e, tamanha minha decepção com o molho que não era o da minha avó, parei de comer macarrão com molho vermelho. Por muitos anos foi assim.

Quando virei adulta, comecei a comer alguns molhos ao sugo, mas nada era muito do jeito que eu gostava. Até o dia que eu fui jantar na casa da minha ex-chefe/atual grande amiga Andrea. Ela é filha de pai e mãe italianos, e a nonna dela está firme nos seus 96 anos fazendo o que a mulher italiana faz com maestria: alimentando sua família muito, muito bem. A idéia do jantar era comermos a comida italiana da família dela e eu estava bem animada. Ao comer a primeira garfada do spaghetti al sugo, tive uma epifania: era ele de volta, o molho de tomate que a minha avó fazia! Nesse jantar, lembrei como de fato eu AMO molho ao sugo; pra mim, um molho de tomate bem feito desbanca qualquer molho branco mais gorduroso.

Desde então estou enchendo a Andrea porque quero aprender com a mãe dela a fazer o molho. Depois de mil e uma tentativas e problemas de agenda, marcamos o final de semana passado para um dia de molho sugo. E um dia não é exagero: o molho sugo de verdade leva umas 4 horas pra ser feito. É simples, mas demora.

Quem nos ensinou foi a queridíssima dona Marisetta, mãe da Andrea, que estava tão feliz que eu queria aprender o molho que ela dava 1001 dicas. Como uma boa cozinheira, ela não tem receitas anotadas e faz as coisas de olho, o que pode ser desesperador para uma iniciante como eu. Mas, é fazendo que se aprende, então eu e a Andrea que colocamos a mão na massa. A dona Marisetta fazia o coaching culinário enquanto ensinava algumas manhas. Por isso, vou mostrar aqui o processo do jeito que eu aprendi: a receita está espalhada pelo modo de fazer.

Molho al sugo, como faz a mamma e a nonna (by Marisetta)

A primeira coisa que você precisa para fazer o molho sugo é de tomate, muito tomate. Como o molho demora, mesmo se você mora sozinha é uma boa fazer uma grande quantidade de molho e congelar. Assim você tem uma alternativa infinitamente melhor a fazer um miojo de 3 minutos (não sou nada fã de miojo). Para essa receita, usamos 4 kg de tomate débora, bem maduro. Segundo a Marisetta, o tomate débora é o melhor para molhos. Você pode usar também o italiano, ou tomates pequenos. A idéia é sempre comprar tomates que são mais compridos do que largos. Tomate caqui ou tipos q sao mais larguinhos não dão um bom molho. E sempre bem maduro.

Essa é a parte do pedúnculo, pra retirar

Essa é a parte do pedúnculo

Cortamos o tomate para tirar a parte do talo de cima, e a parte verdinha que tem – o pedúnculo. Sabe, bem no meio do tomate? Essa mesmo.

4kg de tomates picados, rumo a fervura!

4kg de tomates picados, rumo a fervura!

Depois, você corta o tomate em pedaços, e leva numa panela para ferver. O tomate vai ficar na panela por volta de 30, 40 minutos.

Quando o tomate ferver, ele vai ter soltado bastante água. Essa primeira água do tomate é a mais ácida, então você tem que jogar uma boa parte dela fora – algo entre metade e 2 terços.  O resto você deixa.

Agora é a parte mais divertida: hora de “filtrar” a pele e a semente do tomate e pegar só o molho.

Aí é que está o pulo do gato. Muita gente, nessa hora, bate o molho no liquidificador, mas isso não é legal. Ao se bater no liquidificador, ele rompe a semente do tomate, que é ácida. Isso impacta o sabor do molho.

Em cima na foto, o passa verdura no seu momento de uso

Em cima na foto, o passa verdura no seu momento de uso

O que fizemos foi passar o molho no passa verdura: é como um grande coador de metal, que vai amassar o tomate, filtrando a pele e a semente. Não consegui achar um passa verdura pra comprar on-line, mas você acha em lojas de assessórios de cozinha. Nessa hora, a idéia é colocar o filtro com buraquinhos menores, senão a semente passa. E se passar um pouquinho de semente, tudo bem, todos sobreviveremos.

Uma vez que o molho todo foi passado, é a hora de preparar o tempero. Pra nossa quantidade de tomates, usamos: 1 cebola pequena e 8 dentes de alho. Pique bem picadinho e frite em uma xícara que é metade óleo (soja, girassol whatever) e metade azeite de oliva. Se quiser pode usar azeite pra tudo, oléo pra tudo, mas essa é a medida.

Essa é uma boa hora também de você colocar um pouco de sal e pimenta do reino: fritar o tempero junto realça o gosto depois.  Agora nessa hora de tempero, começam as dicas de Marisetta: nesse momento, se você quiser, pode fritar uma carne junto para dar gosto. Ou colocar outros temperinhos.

Nesse momento, você coloca o molho dos tomates na panela (se você tiver a manha, vire o molho. Mas, para não respingar, o mais seguro é colocar o molho com uma concha primeiro).

Agora você pode brincar com temperos: pode por salsinha e cebolinha, pode por alho poró. Pode por sálvia. O que ela recomenda é uma folha de louro, realça muito o sabor. Aqui nesse, colocamos louro e um talo de salsão. O salsão substitui a salsinha, hehe. Eu acho mais saboroso. E pode colocar mais sal, o tomate pede bastante sal. Se quiser fazer render mais, coloque polpa de tomate.

E agora é a hora de deixar o tomate ferver, ferver, ferver. Liga em fogo alto até atingir o ponto de fervura, depois deixe no fogo baixo e vá ver um filme. O molho vai ficar apurando por cerca de 3 horas.

Burn, baby, burn!

Burn, baby, burn!

Quando já estiver fervendo por volta de meia hora, dê um pause no filme, vá na panela e coloce uma colher de chá rasa de açúcar e uma colher de sopa de leite. Isso reduz a acidez do molho.

Quando o molho estiver quase pronto, coloque algumas folhas de manjericão: não é bom colocar antes, pois o manjericão murcha muito.

Quando o molho estiver com uma consistência legal, não muito líquido, o molho está pronto. Dá pra congelar 3 potes e comer um macarrãozinho para 3 pessoas. Ou fazer macarronada pra família inteira 😀

(não tenho foto do molho pronto, sorry)


Observação do meu avô

Quando contei pro meu avô que tinha aprendido a fazer o molho, ele perguntou se eu fervia a carne.

Hein?!?

A minha bisavó fervia um pedaço de músculo por umas 3 horas (caldo de carne homemade) e colocava no molho. Segundo ela dizia, esse é o segredo.

Agora fiquei curiosa e vou testar, da próxima vez que fizer o molho.


Queria agradecer a Andrea, a Marisetta e a Nonna Zaira, que foram muito queridas comigo em passar o dia me ensinando a cozinhar 😀








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